Aprendendo com Projetos na Educação InfantilEste trabalho foi realizado por nossas professoras e coordenadoras, no ano de 2003, e publicado nos anais do Seminário Letramento: Significados e Tendências, realizado no dia 16 de setembro de 2003, promovido pela FEBF/UERJ. Aqui na TICTICTAC, desde 1997 trabalhamos com a informática integrada ao currículo, produzindo dinâmicas próprias para a nossa faixa etária. A ESCOLA NA SOCIEDADE
DA INFORMAÇÃO: Este texto tem como foco a possibilidade de apropriação, pela Escola, das tecnologias disponibilizadas pela sociedade atual como instrumento de estímulo à criatividade. Toma como ponto de partida, algumas idéias acerca da sociedade da informação, sobretudo a respeito do impacto do fenômeno globalização no cotidiano dos diferentes atores escolares. Busca-se, ao mesmo tempo, circunscrever a Escola nesse contexto e apontar alternativas para ultrapassar uma visão linear sobre esse tema (não cabe nem uma aceitação incondicional nem tampouco uma recusa ingênua). Para isso, descreve a experiência da Escola de Educação Infantil Tic Tic Tac (Rio de Janeiro) com o uso das diferentes tecnologias e ferramentas disponibilizadas pela sociedade da informação como recurso didático-pedagógico. Hoje, pode-se dizer que o grande desafio da escola é acompanhar, ou melhor, inserir-se num mundo que muda rapidamente, desenvolvendo novas formas de comunicação, assim como estratégias de aquisição do conhecimento. A característica deste século é a informatização, a automação, a aproximação dos povos e culturas a partir do fenômeno identificado como globalização. Esta se apresenta como um fato. As máquinas invadem todos os espaços, das casas ao lazer. Nas ruas, pode-se observar outdoors, nos shoppings os ciber espaços, na conversa com os outros os códigos da internet. A medicina e outros campos da ciência mudam, facilitando a vida dos sujeitos. Hoje, as crianças, independentemente da condição sócio-econômica dispõem de aparelhos de vídeo, DVD, brinquedos eletrônicos e computadores com múltiplos recursos de som e vídeo, acesso à Internet que facilitam a comunicação quase que instantânea com os outros que fisicamente estão distantes. Estas nascem mergulhadas nestas tecnologias e mostram-se abertas e desinibidas quanto ao uso das mesmas, porém a escola reluta em usar tais ferramentas que podem ser desencadeadoras de aprendizagens (algumas vezes por temor, outras por desconhecimento). Para que este temor seja minimizado ou dissipado acredita-se que a Escola tem muito a ganhar se utilizar essas “novas” tecnologias, buscando integrá-las a sua proposta pedagógica. Assim, ao falar-se de apropriação de recursos que estão presentes no mundo, fala-se também de uma Escola que precisa evoluir, pois o mundo que está sendo apresentado e representado exige de todos um novo modelo do aprender e ensinar. A criança, seu cliente/usuário, precisa de um ambiente e um professor cada vez mais competente e crítico no que diz respeito ao entendimento do mundo e de si próprio. Em alguns contextos, tem-se a impressão de que a escola tem se distanciado das descobertas científicas cuja velocidade nem sempre percebe. Antes da primeira grande guerra a expectativa da aplicação das descobertas era de 30 anos entre descoberta e aplicação. Já na década de 90, essa expectativa foi reduzida para um ano e meio. Hoje esse impacto pode levar horas. A Globalização, no contexto dos discursos educacionais a respeito da sociedade, é um dos aspectos que tem recebido maior atenção. Até para as crianças das primeiras séries escolares o significado da palavra globalização é conhecido. Como seus efeitos se fazem sentir em todas as nações do mundo o tema tem despertado paixões. Em poucas palavras: “A globalização é o processo que está transformando a Terra em uma Pequena Aldeia”. De acordo com Charlot (2002) já não cabe emitir juízo de valor acerca da globalização posto que veio para ficar. Não é possível mais retornar ao passado. A democratização da informação, a facilidade de comunicação e a racionalidade no uso dos meios e recursos são fatores poderosos para a sustentação da globalização. Enquanto esses fatores continuarem avançando o mundo vai caminhar para a derrubada das frágeis fronteiras criadas para separar a humanidade. O que cabe à escola, neste contexto, é encontrar alternativas para diminuir os efeitos considerados nefastos à construção de um mundo melhor ou mesmo para a diminuição da exclusão em todos os níveis da vida em sociedade. Dentro desse novo padrão as mudanças, nos relacionamentos
internos e externos, são necessárias para as instituições,
pois: A necessidade de um novo formato das organizações parece urgente e nas organizações escolares, o foco no fator humano pode ser um diferencial importante uma vez que estas “educam” outras. Nesta perspectiva, Ribeiro (2003) aponta alguns argumentos para justificar a necessidade de uma postura administrativo-pedagógica, pautada: “...numa visão transdisciplinar da educação, da escola e do ensino de modo a permitir o seu entendimento na perspectiva de possibilidade, marcada por uma dimensão técnica e outra teleológica que se interpenetram e se materializam, em cada sociedade, em cada época, em cada contexto nas aspirações de cada um dos sujeitos/instituições.” Ainda nesta perspectiva, destaca-se a pertinência de um modelo de organização que articule capital, inteligência, emoções e trabalho. Nesse sentido, como pessoas não são máquinas se faz indispensável que o trabalho represente um caminho para o desenvolvimento de suas necessidades, potencialidades e expectativas. O verdadeiro potencial de uma organização é medido pelo potencial de seus diferentes atores enquanto seres humanos. A partir destas reflexões é possível inferir que as instituições de ensino que se colocarem a margem deste movimento poderão ficar a margem ou obsoletas e sua missão, que é preparar as crianças no mundo ficará para outro tipo de instituição que se propuser a ocupar este espaço, como se pode observar atualmente. Vale acrescentar que não se está propondo que a Escola abandone sua função primeira de ensino e de aprendizagem; o que se busca são alternativas para que a Escola cumpra com mais eficiência sua razão de ser, atenta aos processos de desenvolvimento/transformação de seu tempo.
Ângela Maria Patrício Costa, Professora
de Educação Infantil, Pedagoga, Psicopedagoga, M.B.E.-Educação,
exerce a função de Coordenadora Pedagógica e Coordenadora
do Curso de Auxiliares da Escola Tic Tic Tac Educação
Infantil. Márcia Cristina Saldanha Dória, Professora,
Psicóloga, Especialista em Informática Educativa, M.B.E.-Educação
Infantil, exerce a função de Professora de Informática. Silvia Regina Lanção Lima, Professora
de Educação Infantil, Psicóloga, Terapeuta de Família,
M.B.E.-Educação Infantil, exerce a função
de Psicóloga e Coordenadora do Curso de Auxiliares da Escola
Tic Tic Tac Educação Infantil. Simone da Cunha Diaz, Professora de Educação
Infantil e de Classe de Alfabetização, Pedagoga, Psicopedagoga,
Especialista em Informática Educacional, M.B.E.-Educação
Infantil, exerce a função de professora de C.A.. |