Berçário


Adaptação

Um exercício de confiança, segurança e desprendimento.

Adaptar, em sua essência, significa a passagem do meio individual, familiar, para o meio coletivo, social, escolar.

É importante lembrar que estar adaptado à escola não significa entrar sorrindo todos os dias. Muitas vezes, mesmo chorando, a criança entra na escola, come, vai ao colo das professoras, dorme... e isso é sinal que está adaptada.

É preciso confiar na escola escolhida. Confiança gera segurança e esses dois sentimentos são percebidos pelas crianças. Se ela não sente os pais seguros, também não se sentirá segura.

Confiança tem relação com conseguir se despedir de seu filho, de sua filha, acreditando que ficará bem com os demais adultos, enquanto você não está por perto. Segurança é o que você deve passar para eles e elas, encorajando-os a ficar na escola.

É fundamental se preparar em casa! Portanto, transforme a ida à escola, em um ritual cheio de sentido, converse antes de dormir, dizendo que vão à escola, que encontrarão os amigos e amigas, que brincarão nos espaços. Diga que será muito boa a experiência e que você está feliz em proporcionar isso.

De manhã, converse novamente. Arrume a mochila, separe as roupas, vista o uniforme, separe um brinquedo para levar. Os brinquedos aproximam de forma concreta a família e a escola.

Ao chegar à escola, prefira ir de mãos dadas. Pé no chão (para as crianças que andam, lógico) é fundamental para o ato de crescer e que seja traçado pelos próprios pés! É simbólico e muito concreto ao mesmo tempo.

Olhe no olho das pessoas da escola. Não fale sobre as suas angústias na frente da criança. Espere que saia para desabafar. E desabafe. A escola irá acolher você com prazer.

Todos os dias durante a adaptação apresente cada um dos adultos à criança. Ela vai criando uma memória afetiva daqueles que farão parte do seu dia a dia.

Nunca saia do campo de visão da criança. Nunca dê uma escapadinha no banheiro sem avisá-la. Então, tudo que fizer deverá ser comunicado à criança. Mesmo que ela chore durante a sua ida ao banheiro. Imagine se ela, durante essa escapadinha, resolve procurar você e não encontra? Onde fica a parceria com a escola?

Respeite os horários designados para a adaptação. A escola se programa para que esse momento seja bem cuidado! Se ficar doente e é bem capaz que isso aconteça, não leve a criança à escola. Criança doente não estabelece uma relação boa com os adultos e com as atividades.

Não se sente disposta para brincar. Além de passar seus vírus aos demais.

Converse com as outras famílias que estão vivendo o mesmo processo. Compartilhar angústias alivia a culpa, penas e sentimentos relacionados à percepção de que nossos filhos e filhas são do mundo. Nada de ir embora sem se despedir, procure conversar com a criança, dizendo que “hoje o papai e a mamãe (ou quem estiver nesse caminho) irá levá-la até a sala e se despedir, pois precisa ir!”. Diga que todos conseguem e que ela vai conseguir! Quando a deixar na escola, faça a mesma coisa: pé no chão, cumprimente a todos, leve até a professora, fale que tudo vai ficar bem, dê um beijo, respire e parta. Há criança que chora, há criança que não liga, há mãe que chora... Vale tudo. Só não vale ficar indo e voltando. E sabe aquela história de que “as crianças ficam bem depois que os adultos saem”? É a mais pura verdade!

Confie.

No fim do dia (e esse é o momento mais mágico), o abraço que vai receber será a recompensa de ter acreditado naquela pequena vida que começa a caminhar sozinha. Você tem de se lembrar que entrar na escola e se adaptar é o processo inicial de entrar no mundo social. É o melhor presente que podemos dar aos nossos filhos e filhas! Acreditem que isso é transformador e quem pode vivênciar esse momento é um ser privilegiado.

Repita tudo isso até uns dias depois de ter se despedido e a criança ter conseguido ficar sozinha na escola. A criança aprende por repetição e permanência. E, depois disso tudo, curta sua escolha, curta o crescimento de seu filho, de sua filha... Entregue-se à experiência que acaba de começar!




Grupos


I

GRUPO I

II

GRUPO II

III

GRUPO III

IV

GRUPO IV

V

GRUPO V

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